A comunicação permeia nossas relações: é toda troca de informações entre um emissor e um receptor.
Essa troca de informações pode tanto ser verbal (um professor explicando algo a seu aluno) quanto não verbal (uma mulher que mexe no cabelo ou faz outro gesto corporal com o objetivo de seduzir um homem).
A forma como se desenrola essa troca de informações tem muito a ver com o repertório cultural, escolaridade e emoções, tanto do emissor quanto do receptor. Um analfabeto funcional por exemplo, provavelmente fará uso de menos palavras no seu discurso do que um acadêmico, mas isso não significa que não conseguirá atingir seus objetivos de comunicação. Esse analfabeto poderá se comunicar até com um cidadão de outro continente, usando sua expressão corporal, tom de voz, mímica, etc. Da mesma forma, se esse acadêmico falar sobre física quântica com o analfabeto funcional este provavelmente não compreenderá, pois aqueles conteúdos não fazem parte da sua bagagem de vida.
Então se dois acadêmicos conversarem sobre assuntos que ambos dominam a comunicação fluirá harmonicamente, certo? Não necessariamente. O emissor (acadêmico A) pode transmitir informações para o receptor (acadêmico B) e achar que o acadêmico B compreendeu perfeitamente, enquanto na realidade o acadêmico B utilizou sua bagagem cultural para filtrar essas informações e entendeu tudo de maneira completamente diferente. A bagunça fica maior quando por exemplo o acadêmico B acredita (com base em seu filtro) que, apesar do acadêmico A estar aparentemente fornecendo informações verbalmente, ele está na verdade dando sinais corporais de que o que queria na verdade era humilhar o acadêmico B. Pode ser realmente verdade, pode ser que o acadêmico B tenha projetado no acadêmico A a figura do pai do acadêmico B que gesticulava como o acadêmico A quando humilhava o filho. E ainda pra complicar o Acadêmico B poderá dar uma resposta extremamente agressiva sem que de fato o acadêmico A tenha tido a intenção de humilhá-lo...
Por mais que tentemos ser claros e objetivos, não é uma fórmula matemática. A comunicação está ligada a quase todos os conflitos que temos na vida pessoal e profissional.
Mas enfim, vamos nos ater aos cursos oferecidos atualmente no mercado:
Cursos de Comunicação Social
Curso universitário que estuda os meios de comunicação em massa. Diversas faculdades oferecem cursos de graduação em comunicação social (Jornalismo, Publicidade, Marketing, etc)
Cursos de Comunicação Corporativa
Excessões à parte, o foco desses cursos costuma estar mais no emissor (falar) do que no receptor (ouvir), talvez pelo fato do objetivo principal estar ligado à questões tais como apresentar um produto para os acionistas e investidores, apresentar um relatório para os superiores, se destacar em uma entrevista de emprego, preparar discursos ou textos persuasivos para scripts de telemarketing/callcenter, etc. Alguns cursos falam sobre como dar e receber feedback, evitar julgamentos, etc.
Principais temas são Oratória, redação empresarial, programas de apresentação gráfica como o Microsoft Powerpoint, softwares de CRM, como se comunicar em diferentes meios (pessoalmente, por e-mail, telefone, etc).
Cursos de Comunicação para Palestrantes
Similar a comunicação corporativa, envolve técnicas para falar em público com mais desinibição, postura corporal, gesticulação, expressão verbal, improviso, representação teatral, poder argumentativo, como persuadir e motivar a platéia, etc.
O curso em si pode ser de grande valia. O problema é que vemos palestrantes mais preocupados na forma como se apresentam do que no conteúdo do que tem para oferecer, fazendo disso quase um show. Claro que não podemos descartar casos de pessoas inteligentíssimas, com conhecimento muito vasto em diversos temas mas que precisam desenvolver a empatia para se conectar melhor com seus alunos, para quem esse curso seria ótimo. Mas um curso de comunicação no geral deve ser a última etapa do processo da formação do palestrante, quase um acabamento final.
Conheci uma palestrante que gastou preciosos dias do seu tempo tentando obsessivamente se livrar de determinado vício de linguagem (gerundismo) antes mesmo de pensar se seu parco conhecimento seria capaz de alguma forma de ajudar a sua platéia pagante.


