Até bem pouco tempo atrás palestras de motivação ou "palestras motivacionais" eram febre no mundo corporativo. Atualmente, até uma das palestrantes de motivação mais famosas da área mudou os temas de suas palestras...
Mas afinal, o que "promete" uma palestra motivacional? E o mais importante: entrega?
Primeiro então precisamos definir o que é motivação. Motivação é "motivo" para agir.
A motivação pode ser medida pelo quanto (intensidade) uma pessoa é capaz de manter o foco (direção) em uma meta, persistir e se esforçar para alcançar essa meta.
O que motiva uma pessoa a levantar da cama de manhã não é o mesmo que motiva outra. Certa vez li que o melhor jeito de conhecer o que move uma pessoa é perguntar o que ela faria se ganhasse na loto: uns responderiam fazer uma viagem, outros responderiam investir em cursos para mudar de carreira, outros iriam pro shopping, outras investiriam em imóveis, outras fariam uma aplicação e viveriam de renda, outras fariam doações para entidades de proteção aos animais... a lista é longa.
Será então possível uma simples palestra de motivação fazer TODOS os colaboradores terem a mesma motivação? E se fosse possível, seria a mesma motivação do dono (produtividade dos funcionários para aumentar o lucro da empresa)?
Motivação vem de dentro, não de fora. A única forma de motivação possível é a auto-motivação: ninguém motiva ninguém!
Como não conseguem entregar o que prometem, os palestrantes de motivação resolveram repaginar o antigo "bobo da corte": entretenimento puro, com algumas piadas manjadas, malabarismos, exemplos de pessoas superando suas próprias dificuldades por motivações INDIVIDUAIS, vídeos com historias pra lá de emotivas e melosas, aeróbicas coletivas (que as pessoas participam seja pra provar pro chefe que não é desanimada ou pra posar pra foto que vai pro "portfolio" do palestrante), etc. Qualquer semelhança com alguns cultos religiosos é mera coincidência, viu?
Como então fazer o funcionário ficar com aquela vontade de "vestir a camisa" da empresa?
A falta de iniciativa, pró-atividade, disposição, entusiasmo, perseverança, otimismo (essa é ótima...rss), comprometimento, baixa produtividade é só um sintoma. Deve-se então combater a causa, a origem do problema. A causa vai desde a falta de perspectiva de futuro (que pode ser tida como consequência da falta de reconhecimento de superiores, promoções e planos de carreira), a burocracia que atravanca as iniciativas genuínas do colaborador, chefes que vivem pressionando por prazos e resultados e nunca valorizam um acerto, clima organizacional que não oferecem espaço para funcionários que desejam se destacar (e consequentemente obter sua recompensa), etc.
A maioria das motivações em nossa sociedade estão ligadas a bens de consumo. Então se por exemplo um colaborador quer fazer uma viagem e souber que vai ter a grana antes do que esperava CASO colabore com a empresa em um projeto X, adivinha o que acontece?
Nesse modelo então, programas de remuneração variável, programas de reconhecimento instantâneo, bônus salariais, passagens aéreas e ingressos para cinema e teatro, dia(s) de folga ainda são ótimas formas da empresa dar seu recado: que reconhece e valoriza os comportamentos positivos do colaborador e que está disposta a pagar por esse esforço, na mesma moeda dos seus sonhos.


